Onze semanas após o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, o Instituto São José ainda registra impactos na rotina de atendimentos. No dia do desastre, a instituição realizou mais de 500 atendimentos emergenciais, concentrando a demanda da região devido à gravidade dos danos causados pelo evento climático.
Durante a noite do desastre, não houve plantão específico. Profissionais de diferentes setores permaneceram mobilizados para prestar atendimento. Mesmo com estrutura reduzida, o Instituto São José operou acima de sua capacidade habitual, especialmente no momento da troca de plantão.
Situado em ponto estratégico, o Instituto é um dos poucos hospitais entre Cascavel e Guarapuava, tornando-se a principal referência para o atendimento às vítimas em Rio Bonito do Iguaçu. Em parceria com o Hospital São Lucas, a atuação conjunta contribuiu para a redução do número de vítimas fatais, considerando a proporção do desastre.
Com dezesseis médicos atuando simultaneamente, os feridos eram classificados conforme a gravidade das lesões e encaminhados para a UTI ou para procedimentos cirúrgicos, quando necessário. A triagem teve início ainda na recepção, com a utilização de pulseiras de identificação por cores, estratégia adotada para agilizar o fluxo interno de atendimentos, inclusive com o uso de macas posicionadas em corredores.
À medida que a situação se prolongava, moradores de Laranjeiras do Sul passaram a buscar o Instituto São José para colaborar com os atendimentos. Familiares de funcionários auxiliaram com o fornecimento de lençóis e roupas, além de ajudar na organização e manobra de ambulâncias para manter o fluxo interno. Do lado de fora, familiares das vítimas, muitas com ferimentos leves e em estado de choque, aguardavam informações.
A cozinha do Instituto São José também precisou se reorganizar diante da situação de emergência. Em poucas horas, passou a produzir refeições em grande escala, com a preparação de sopa para atender pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. A alimentação foi fundamental para a manutenção dos atendimentos, especialmente para equipes que permaneceram em atividade mesmo após o encerramento do plantão.
Ao fim da operação, mais de 430 vítimas foram atendidas pelo Instituto São José. Apesar da destruição registrada em Rio Bonito do Iguaçu, o número de óbitos confirmados foi de quatro.
Para o presidente do Instituto São José, Roger Gastón, a atuação integrada das equipes foi decisiva para reduzir o impacto do desastre. “Lamentamos profundamente as perdas, mas a resposta organizada e imediata permitiu evitar um número ainda maior de vítimas fatais. Hoje, essa experiência reforça a segurança prestada à região, mesmo em situações extremas”, afirmou.
Para a população atingida pelo tornado, em Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos, o receio de novos temporais ainda persiste. Ao mesmo tempo, a resposta registrada durante o desastre fortaleceu a confiança da comunidade na rede de saúde local e na capacidade de atuação do Instituto São José em situações extremas.
Fonte: Assessoria